AMIGOS LEITORES

16 de dezembro de 2008
Velho Bruxo)

(Foto:Velho Bruxo)

O blog deixará de ser publicado diariamente neste período de final de ano. As páginas vão obedecer a um ritmo diferente.

Portanto, só retomaremos as atualizações diárias de AUDÁCIA – O DOCUMENTÁRIO, quando estivermos no início das filmagens, ou seja, próximo ao dia 12 de janeiro de 2009.

A todos, um bom final de ano.

Paz e harmonia aos homens de boa vontade, porque afinal, é disso que se trata o trabalho que estamos construindo.


15 de dezembro de 2008

 Fotos de Ernst Hass

 

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“A fotografia é a manifestação democrática de uma arte aristocrática.” 

Ernst Hass


13 de dezembro de 2008
REUTERS/Vincent Kessler

(Foto:Vincent Kessler/REUTERS)

Considero-me um ensaísta. E faço ensaios em forma de romances, ou romances em forma de ensaios: simplesmente,em vez de escrevê-los, eu os filmo.

Se  o cinema desaparecesse, eu me resignaria e passaria à televisão.

E se a televisão desaparecesse, eu voltaria ao papel e ao lápis.

Para mim, a continuidade é muito ampla entre todas as maneiras de se exprimir. Tudo forma um bloco.”

                                                       Jean-Luc Godard 


12 de dezembro de 2008

“Um homem não é outra coisa senão o que faz de si mesmo.”

“Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim.”

 Jean-Paul Sartre

Penitenciária)

Penitenciária da Trindade, década de 1940 (Acervo: Penitenciária)

 “Porém, a verdadeira e a mais profunda discórdia está na alma de cada um. O futuro se tornou a região do horror, e o presente se converteu num deserto. As sociedades liberais giram incansavelmente: não avançam, se repetem. Se mudam, não se transfiguram. O hedonismo do Ocidente é a outra face do seu desespero; o seu ceticismo não é uma sabedoria, mas sim uma renúncia; o seu niilismo desemboca no suicídio e em formas degradadas de credibilidade, como os fanatismos políticos e as quimeras da magia. O lugar vazio deixado pelo cristianismo nas almas modernas não foi ocupado pela filosofia, mas pelas superstições mais grosseiras. Nosso erotismo é uma técnica, não uma arte ou uma paixão.”

Octavio Paz


O PRESENTE INFINDÁVEL

10 de dezembro de 2008

O texto que irão ler é um daqueles escritos para pensar: uma crítica original, um olhar com diversas percepções filosóficas. De fácil entendimento, ele é elucidativo sobre o processo cinematográfico e o estágio da criação em plena modernidade. Uma elegia ao tempo que merece leitura. As vezes estes espaços – os blogs – são identificados por uma falsa impressão de que o volume a ser lido não suporta a pressa cotidiana. Isto alimenta o estigma de que a rede é freqüentada por um público que tem preguiça de absorver cultura. Nada é mais moderno e eterno do que a leitura: única forma de acumular cultura. A rede foi criada, fundamentalmente, para este fim, mesmo com a enxurrada de inutilidades que existe em todos os cantos, em todos os meios. J  

 

Por Frei Betto, Frei dominicano. Escritor

No século XX, a arte cinematográfica introduziu um novo conceito de tempo. Não mais o conceito linear, histórico, que perpassa a Bíblia e, também, as obras de Aleijadinho ou Sagarana, de Guimarães Rosa. No filme, predomina a simultaneidade. Suprimem-se as barreiras entre tempo e espaço. O tempo adquire caráter espacial, e o espaço, temporal. No cinema, o olhar da câmara e do espectador passa, com toda a liberdade, do presente para o passado e, deste, para o futuro. Não há continuidade ininterrupta.
A TV, cujo advento ocorreu no fim da década de 1930, leva isso ao seu paroxismo. Frente à simultaneidade de tempos distintos, a única âncora é o aqui-e-agora do (tele)espectador. Não há durabilidade nem direção irreversível. A linha de fundo da historicidade – na qual se apóiam o relato bíblico e os paradigmas da modernidade, incluindo um de seus frutos diletos, a psicanálise – dilui-se no coquetel de eventos onde todos os tempos se fundem. Dercy Gonçalves está morta e, sobre sua tumba, os clipes a exibem viva, interpretando sua personagem irreverente e desbocada.
Aos poucos o horizonte histórico se apaga como as luzes de um palco após o espetáculo. A utopia sai de cena, o que permite aos filósofos da desgraça vaticinarem: “A história acabou”. Ao contrário do que adverte Coélet, no Eclesiastes, não há mais tempo para construir e tempo para destruir; tempo para amar e tempo para odiar; tempo para fazer a guerra e tempo para estabelecer a paz. O tempo é agora. E nele se sobrepõem construção e destruição, amor e ódio, guerra e paz.
A felicidade, que em si resulta de um projeto temporal, reduz-se então ao mero prazer instantâneo, epidérmico, derivado, de preferência, da dilatação do ego (poder, riqueza, fama etc.) e dos “toques” sensitivos (ótico, epidérmico, gustativo etc). A utopia é privatizada. Resume-se ao êxito pessoal. A vida já não se move por ideais nem se justifica pela nobreza das causas abraçadas. Basta ter acesso ao consumo que propicia valor e conforto: uma boa posição social, a casa na praia ou na montanha, o carro de luxo, o kit eletrônico de comunicações (telefone celular, computador etc.), as viagens de lazer. Uma ilha de prosperidade e paz imune às tribulações circundantes de um mundo movido à violência. O Céu na Terra – prometem a publicidade, o turismo, o novo equipamento eletrônico, o banco, o cartão de crédito etc.
Nem a fé escapa à subtração da temporalidade. O Reino de Deus deixa de situar-se “lá na frente” para ser esperado “lá em cima”. Mero consolo subjetivo, a fé reduz-se à esperança de salvação individual.
Graças às novas tecnologias de comunicação, agora o tempo está confinado ao caráter subjetivo. Experimentá-lo é ter uma consciência tópica do presente. Se na Idade Média o sobrenatural banhava a atmosfera que se respirava e, no Iluminismo, a esperança de futuro justificava a fé no progresso, agora importa o presente imediato. Busca-se, avidamente, a sua perenização. Somos todos eternamente jovens, cultuamos o corpo como quem sorve o elixir da juventude. Morreremos todos saudáveis e esbeltos…
Pulverizam-se os projetos nesse tempo cíclico, onde no mesmo rio corre sempre a mesma água. Outrora, havia namoro, noivado e casamento. Agora, fica-se. Após anos de casado, pode-se voltar ao tempo de namoro e, de novo, ao de casado.
A destemporalização da existência alia-se à desculpabilização da consciência. Uma mesma pessoa vive diferentes experiências sem se perguntar por princípios éticos, políticos ou ideológicos. Não há pastores e bispos corruptos e utopias que resultaram em opressão? A TV não mostra o honesto de ontem pilhado na vigarice de hoje? O bandido não faz gestos humanitários? Onde a fronteira entre o bem e o mal, o certo e o errado, o passado e o futuro?
“Tudo que é sólido se desmancha no ar” irrespirável dessa pós-modernidade, cuja temporalidade fragmenta-se em cortes e dissolvências, close-ups e flash-backs, muitas nostalgias (vide a bossa nova) e poucas utopias.
Se há algo de positivo nessa simultaneidade, nesse aqui-e-agora, é a busca da interioridade. Do tempo místico como tempo absoluto. Tempo síntese/supressão de todos os tempos. Eis que irrompe a eternidade – eterna idade. Pura fruição. Onde a vida é terna.
Nas artes, música e poesia se aproximam, de modo exemplar, dessa simultaneidade que volatiliza o tempo, imprimindo-lhe caráter atemporal. Na música, nossos ouvidos captam apenas a articulação de umas poucas notas. No entanto, perdura na emoção a lembrança de todas as notas que já soaram antes. Em si, a melodia é inatingível, assim como o poema, uma sucessão rítmica de sílabas e palavras sutis. O que existe é a ressonância da nota e da palavra em nossa subjetividade. Então, a seqüência se instaura em nós. Não é o tempo fatiado em passado, presente e futuro. É o presente infindável. O tempo infinito. Como no amor, em que o cotidiano é apenas a marcação ordinária de uma inspiração extraordinária. (A sugestão deste post partiu do amigo e colaborador Celso Martins.)


9 de dezembro de 2008

Dziga Vertov

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Necessidade, precisão e velocidade: três imperativos que nós exigimos do movimento digno de ser filmado e projetado.


8 de dezembro de 2008

barcobarco3rancho(Fotos: Vera Sayão, pesquisadora convidada)

A locação central do roteiro é, sem dúvida, a praia de Canasvieiras, local cheio de detalhes que, por vezes, fogem ao simples olhar do turista.