Os ideários de 1975

18 de fevereiro de 2009

Este texto (resgatado pelo jornalista Celso Martins), permanece estranhamente atual. É como se um tempo ditado pela censura ainda continuasse ditando parte da estética e opções atuais. Cirineu Martins, preso na “Operação Barriga Verde” morreu aos 41 anos. O ex-militante comunista saiu da prisão profundamente abalado, sem emprego e precisava alimentar a família – a esposa Graça, o recém nascido Ivan, e depois Serguei. “Foi vender poesia mimeografada, montou um varal de poemas na UFSC”.
Cirineu Martins é personagem de AUDÁCIA.

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ARTE E POESIA
Por Cirineu Martins

Vivemos uma época de transição. Na sociedade, a luta entre o que é novo, o que alvorece e o que é velho, agoniza, assume proporções consideráveis e , muitas vezes nos impõe opções difíceis. Sob as mais variadas formas de conflitos e paixões participamos do processo de libertação das mais distintas faces da alienação. E neste contexto a arte é história na medida em que expressa essa etapa da evolução em toda a sua complexidade e se torna universal quando pela captação da essência humana nesse processo, transcende ao próprio momento histórico em que nasceu.
No caso particular dos países subdesenvolvidos, a literatura entre as várias formas de atividades assume seu peso específico, quando reflete as contradições do pensamento, da mudança em curso. É a luta consciente ou inconsciente, do colonizador no afã de afirmação cultural.
Como parte interdependente do processo cultural brasileiro, a literatura catarinense não pode ser vista isoladamente de toda a complexidade das relações de subdesenvolvimento que norteia, violenta e condiciona as produções literárias. È muito comum por estas bandas de cá, males como o elitismo, o sentimentalismo as posturas “elegantes”, temáticas lânguidas etc., porém não são males somente nossos. É o que mais existe na produção literária brasileira. Nossos males são outros, de características locais, assim como a falta de intercâmbio com os centros culturais mais desenvolvidos, a falta de relacionamento mais estreito com escritores de outros Estados, a não preocupação com os problemas econômico-sociais e políticos na produção a arte, a falta de encontros sistemáticos e discussões acerca da literatura catarinense e, por último a produção como hoby, atividades de fins de semana, revelando um baixo nível dos poemas e ficções que por aí circulam.
No entanto, é notório o crescimento nos últimos tempos de
Cartões Postais

Sem os coloridos paradisíacos
os bairros e as esquinas do mundo
revelam as faces
da existência humana.

O testemunho da exploração
no quadrilátero disforme.
Sob retinas educadas das cidades
a vida rebenta
sem as características estéticas
dos manuais de consumo.
I
Dos esgotos
homens e ratos
farejam migalhas de sonhos
nas listas de sol e proteínas.
II
Das latas de lixo o POEMA da fome
remove palmo a palmo
as diferenças
entre homens e ratos.


Personagens do documentário

24 de novembro de 2008
      Seu Bento, ex-Guarda da Colônia Penal de Canasvieiras.   

 Bento

         
            Estes olhos não estão postos no passado. Eles nos fitam, procuram saber do nosso interesse, nos procuram. E nós, procuramos suas histórias. Esta é a troca. Qual será a entrega? Qual a recusa? Não importa desde que verdadeiras. Difícil esses olhos mentirem – eles pertencem às pessoas, que não temem nem esperam nada. O que nos cabe é o cuidado em respeitar seus papéis no filme. Acatar suas verdades e mentiras, para assim, devolver-lhes suas reais versões. 
 
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Seu Padilha, ex-sentenciado da Colônia Penal de Canasvieiras (Fotos de Vera Sayão)
Padilha

Fotos de Vera Sayão

 


Sérgio Giovanella

6 de novembro de 2008
Celso Martins)

Um jovem dentista preso em novembro de 1975. (Foto: Celso Martins)


Conheça mais um personagem do documentário

3 de novembro de 2008
Celso Martins)

Roberto Motta (Foto: Celso Martins)


Personagens do documentário fotografados pelo DOPS em 1975. (acervo: Celso Martins)

30 de outubro de 2008